Grupo Conviva

Autor -Grupo Conviva

O Momento da Morte: perspectivas de um novo olhar

Via Portal do Envelhecimento

O tema “Melhorando a Morte” foi matéria divulgada pelo jornal o Estado de S.Paulo em 02 de Maio 2017. O assunto revela uma realidade da população mundial, seja ela idosa ou não, em que a evolução farmacológica e tecnológica é capaz de promover tratamentos cada vez mais sofisticados, por meio de cirurgias, altas doses de medicamentos e prolongamento de vidas, independente por vezes da condição de dor e sofrimento ao paciente e, consequentemente, desconforto aos familiares ou às pessoas do seu convívio.

A matéria apresentou também alguns resultados extraídos de uma pesquisa realizada em quatro países (EUA, Brasil, Itália e Japão) sobre a temática. “A maior parte das pessoas morrem em hospitais ou asilos, amiúde depois de passar por tratamentos tão agressivos quanto inúteis, muitos morrem sozinhos, sem estar em plena posse de suas faculdades mentais, e com dor”, mostram ainda que cerca de um terço dos idosos americanos são submetidos a cirurgias em seu último ano de vida; 8% morrem no decorrer da semana que foi operado. E um terço dos familiares de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) apresenta sintomas de transtorno de estresse pós-traumático.

Nos países onde a pesquisa foi realizada no que se refere a morte e os cuidados de fim de vida, a maior parte dos participantes responderam que gostariam de morrer em casa. Essa questão nos chama a atenção pelo fato de se tratar de países com diferentes realidades demográficas, tradições religiosas e níveis de desenvolvimento, como apontou os pesquisadores. Contudo, ao mencionarem a casa, pode-se inferir ao domicílio que é a sede jurídica da pessoa, local onde se presume direitos, nesse sentido as respostas “morrer em casa” pode ser o desejo que cada um tem de escolher a melhor acolhida de morrer.

A morte é um momento para ser vivido e “A vida se torna preciosa demais quando já não há muita vida a ser vivida” e neste curto tempo, muitas vezes, os desejos dos doentes terminais permanecem ignorados ou não são levados em consideração. Quando são cuidados por familiares, amigos ou pessoas próximas, esses vivem um dilema nas decisões de conduzir um diálogo sobre a possível pergunta quanto aos desejos que o seu ente querido gostaria de realizar,   a maioria se esquiva em falar sobre os desejos possíveis de ser realizados nesse tempo diminuto, e se arrependem após o morte do paciente. Dos 56 milhões de pessoas que morrem todos os anos, uma parcela ínfima recebem bons cuidados de fim de vida, isso envolve programas de Saúde: Pública ou Privada. Ora, se os profissionais de saúde ainda se encontram em um processo de consciência e aprendizagem para conversar sobre o assunto da morte e a autonomia de escolha do paciente para um viver bem, com a realização de seus desejos nesse momento, quiçá os familiares e ou amigos, com a emoção aflorada pela perda implacável do seu ente querido, possam fazê-lo.

“Os médicos começam a se dar conta de que há uma maneira melhor de cuidar dos doentes terminais”, apesar de sua prática ser norteada pelo o ideal do controle da doença, e nessa diretriz não se considera o desejo do paciente pela escolha do seu tratamento, percebe-se, portanto, pela leitura dessa matéria que começa a se despertar e intensificar o interesse de médicos para o respeito do paciente, considerando-o um sujeito com liberdade e autonomia de suas escolhas.

Nos EUA, há dois anos o programa público de saúde – Medicare que é destinado a pessoas a partir de 65 anos de idade, propagou o financiamento por conversas sobre cuidados de fim de vida entre médicos e pacientes. Sobre esse assunto a Drª Susan Block, da Harvard Medical School, considera que a conversa sempre ajuda. No entanto, afirma que os médico vão além da conversa pois eles precisam ser especialistas em comunicação, só assim poderão propiciar o melhor cuidado aos pacientes terminais. Sugere ainda que alguns especialistas devem quantificar as conversas sobre a morte com seus pacientes a exemplo dos oncologistas americanos, que precisam ter, em média, 35 conversas sobre cuidados de fim de vida por mês. Observa a Drª Susan que o estresse é uma causa comum entre os médicos devido o despreparo para conversar sobre a morte com os pacientes.

O Relatório publicado em 2015 pela Economist Intelligence Unit (EIU), que avaliou a “qualidade da morte” em 80 países, apontou que apenas a Áustria e os EUA têm condições de garantir tratamento paliativo para ao menos metade dos pacientes para os quais haveria indicação. Essa lacuna pode ser diminuída com a conscientização e aderência pelos médicos e equipe de saúde no tratamento cotidiano dos pacientes por meio do “Guia de Conversação” sobre Doenças Graves, criado por Ariadne Labs, no qual apresenta uma lista de tópicos que os médicos precisam abordar ao falar com seus pacientes terminais. “A recomendação é que o médico comece perguntando o que a pessoa efetivamente sabe sobre sua condição clínica, em seguida verifique até que ponto ela deseja aprofundar seu entendimento, depois ofereça um prognóstico honesto e indague quais são seus objetivos e do que ela está disposta a abrir mão para atingi-los”. O referido Guia já trouxe resultados positivos, onde alguns médicos já antecipam a conversa com seus pacientes, segundo o Dana-Farber Cancer Institute, de Boston.

Nesse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2014, recomendou a integração de cuidados paliativos a sistemas nacionais de saúde. No Brasil, com uma visão qualitativa já se desperta na área médica o cuidar voltado para o bem-estar de pacientes considerados terminais, pois a reforma mencionada no referido jornal (para aprimorar a comunicação entre médicos e pacientes e mudar a maneira como são ministrados os cuidados a pessoas que se aproximam da morte) trata-se de iniciativa do Conselho Federal de Medicina (CFM) e os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), com a participação de médicos e suas entidades e de movimentos organizados da sociedade, que iniciaram no primeiro semestre de 2016 o processo de revisão do atual Código de Ética Médica, em vigor desde 13 de abril de 2010. Este Código trouxe importantes inovações como a previsão de cuidados paliativos, o reforço à autonomia do paciente por exemplo, tendo o objetivo principal de aperfeiçoá-lo em função dos mais recentes avanços técnico-científicos ocorridos no âmbito das relações humanas, profissionais e sociais.

Algumas ações já funcionam no sentido de estimular e popularizar a conversa sobre a morte, nas últimas décadas nos EUA tem se divulgado a elaboração de documentos em que as pessoas especificam o tratamento que desejam receber caso fiquem incapacitadas. No Japão, existe à venda “cadernos de anotações terminais” que as pessoas podem adquirir para registrar mensagens e instruções para os familiares sobre seus desejos no fim de vida. Mundialmente existem espaços denominados “cafés mortais, são mais de 4,4 mil” (death cafés), nesses espaços os eventos são organizados com a intenção das pessoas conversarem sobre a morte enquanto tomam uma xícara de chá e comem um pedaço de bolo. No Brasil também existe o documento que se refere às diretivas antecipadas de vontade dos pacientes, elaborado pelo CFM, explícito na resolução nº 1.995/2012.

Nessa reforma percebe-se um movimento de uma prática orientada por um discurso – valorização do humano enquanto sujeito – com foco na qualidade de vida na sua finitude individual e uma mudança de cultura da sociedade. Nos remete, portanto, o “Cuidar”, que nos escritos de Ayres (2003) o cuidar evoca um exercício articulado de sabedoria prática e científica, e é no campo das práticas que nós, humanos, nos reconhecemos sujeitos. A noção de cuidado identifica uma potencialidade reconciliadora entre as práticas assistenciais e a vida, nesse sentido a prática almeja uma conformação humanizada do ato assistencial, distingue-se daqueles que, por razões diversas, não visam essa ampliação e flexibilização normativa (biomédica) na aplicação terapêutica das de saúde.

Os benefícios da natureza para os idosos

Além de prazeroso, o contato com a natureza vem se mostrando cada vez mais importante para um envelhecimento com qualidade, segundo apontam diversos estudos. Os principais motivos são:

  1. Ao estar perto da natureza, os idosos respiram um ar mais fresco e limpo, o que regula os níveis de Serotonina, (hormônio que promove sensação de felicidade e bem-estar), diminuindo assim a pressão arterial, o estresse e riscos de depressão.
  2. Além da Serotonina, o contato frequente com a natureza permite também um maior contato com o sol, que é uma excelente fonte de vitamina D. É graças à vitamina D que o nosso corpo absorve melhor o cálcio, responsável por fortalecer nossos ossos.
  3. A vitamina D também contribui para um humor mais leve e ajuda até mesmo na redução do risco de doenças como o câncer, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e doenças cardíacas, pois ela promove o relaxamento dos vasos e a diminuição da pressão arterial.
  4. Outro benefício do contato com a natureza e o sol é um sono de mais qualidade e mais duradouro. Uma das explicações para isso é a exposição aos raios solares, que ajusta o relógio biológico do corpo.
  5. A natureza também contribui para o descanso para o cérebro, pois este órgão entra em um estado chamado de rede neural em modo padrão. Isso faz com que os processos de desenvolvimento e de compreensão ocorram mais fluidamente e nos ajudam a entender mais sobre nossas próprias identidades.

Gripe e Pneumonia: entenda as semelhanças e diferenças

No inverno, é comum observarmos casos de idosos com gripe ou pneumonia, sendo esta uma das causas mais comuns de morte entre estes indivíduos. Assim, é importante entender com clareza o que é e como prevenir cada uma delas.

A gripe é uma doença aguda que acomete as vias respiratórias.O vírus é transmitido por via respiratória, em geral pela inalação de partículas infectadas em suspensão no ar. Os sintomas, que costumam durar em torno de 5 dias, são febre acima de 38 graus, tosse, coriza, dores pelo corpo e mal-estar generalizado.

Já a pneumonia se caracteriza como uma infecção nos pulmões. Ela é provocada pela penetração de um agente infeccioso ou irritante, como bactérias, vírus e fungos nos pulmões. Ela ataca um ou ambos os pulmões, sobretudo quando o sistema de defesa está debilitado por outra causa, como gripe, tuberculose, alcoolismo, fumo, diabetes ou doenças do coração. Os sintomas, no início, são semelhantes aos da gripe, porém podem surgir outros sintomas como dor no peito, falta de ar e catarro amarelado, e são mais duradouros que os da gripe. A pneumonia pode atingir pessoas de todas as idades, porém as crianças e adultos a partir dos 50 anos estão mais propensos.

Para preveni-las, é muito importante lavar as mãos com frequência e evitar locais fechados, abafados e aglomerados. Além disso, a vacinação é essencial pois estimula o sistema imunológico do indivíduo.

Fique atento, pois muitas pessoas confundem início de pneumonia com gripe. Assim, é extremamente importante que um médico ou outro profissional da saúde seja procurado casos os primeiros sintomas apareçam!

Quais são as fases da Doença de Alzheimer?

De modo geral, a doença de Alzheimer é dividida em três fases: Inicial, Moderada e Grave. As alterações e sintomas podem variar significativamente entre as pessoas, mas estas divisões existem para que os cuidadores, familiares e profissionais da saúde possam compreender melhor o momento no qual o indivíduo se encontra, e qual a melhor condutas a serem seguidas. Assim, é muito importante que os sejam identificados cada um dos sintomas e comportamentos, para que o tratamento mais adequado seja recomendado, e para que todos possam se preparar e se fortalecer diante de cada uma das fases.

Fase Inicial

Nesta fase, o indivíduo ainda é capaz de realizar a grande maioria das atividades básicas, como se alimentar sem ajuda, ir ao banheiro, se trocar, entre outros. A principal característica desta fase é a perda de memória recente, como por exemplo se esquecer de coisas que aconteceram há pouco tempo ou perguntar várias vezes a mesma coisa. Além disso, a localização tempo-espacial já está prejudicada, assim como funções mais complexas como administrar seu dinheiro, fazer cálculos e solucionar problemas. Nesta fase também é comum que o indivíduo apresente alterações de humor recorrentes, e até mesmo quadros depressivos.

Fase Moderada

Na fase moderada, as dificuldades da fase inicial estão mais intensas, e há um maior prejuízo da memória. As alterações de humor e comportamento estão mais evidentes, e as dificuldades de comunicação também estão mais presentes, sendo mais difícil que o indivíduo siga comandos mais complexos. A memória recente já está bastante comprometida, e a memória de médio prazo também já esta prejudicada. Nesta fase, é comum que o indivíduo precise de um acompanhante praticamente o tempo todo, seja para auxiliar a realizar as tarefas ou apenas supervisionar, evitando assim acidentes e constrangimentos.

Frase Grave

Além da memória, as outras funções cognitivas já estão bastante comprometidas, como atenção, raciocínio, linguagem, coordenação, localização entre outras. Existem alterações importantes de comportamento e humor, podendo oscilar bastante ao longo do dia. Nesta fase, o indivíduo apresenta grande dependência de terceiros para realizar seus auto cuidados. Na fase grave mais avançada, o indivíduo geralmente apresenta incontinência urinária e fecal, possui dificuldade para engolir, caminhar e muitas vezes não apresenta nenhuma capacidade de comunicação.

A Infantilização da pessoa idosa

via Portal do Envelhecimento

Quantas vezes nos pegamos tratando pessoas mais velhas de uma forma infantil, principalmente as mais frágeis, usando palavras no diminutivo, como forma de demonstrar amor, carinho e apreço? É claro que este comportamento é muito ‘comum’ em qualquer família e em alguns contextos de profissionais de saúde. Muitas pessoas tratam seus pais, avós, pacientes e conhecidos como se fossem crianças grandes e, em alguns casos, colocam-se como pais de seus pais, literalmente, conferindo a eles a incapacidade de administrar a própria vida e ser independente em suas atividades de rotina, quando possível. Muito desse tratamento tem relação com a retribuição de cuidado que receberam durante toda a vida e, agora, acabam por conduzir esse comportamento como algo ‘normal’.

Infantilizar significa tornar-se infantil, dar feição ao infantil e traz alusões errôneas em torno do ser idoso. Ora, se não ‘adultecemos’ nossos filhos antes da hora, por que infantilizar nossos idosos a uma condição que não o são?

Tratar com carinho é permitir, mesmo com dificuldades, que a pessoa possa exercer sua autonomia e independência (quando possível). Auxiliar e não fazer por ele, é carinho. Respeitar suas vontades e decisões é carinho. Chamar de mãezinha, paizinho, vozinha é carinho. Não permitir que a pessoa idosa realize suas atividades, tome suas decisões, participe de atividades e seja chamada por qualquer adjetivo pejorativo que não seu nome é violência emocional.

Muitos irão questionar e dizer que cada um se refere ao familiar como bem deseja, mas o que muitos não conseguem compreender é o quão essa forma de tratar a pessoa idosa, seja ela dentro ou fora do contexto familiar, pode trazer leituras sobre esta etapa da vida que, ao invés de enaltecer o envelhecimento como um processo natural e comum a todo ser vivo, acaba por censurar sua existência e reduzir esta pessoa como alguém que já não mais pertence a algum lugar ou que possa contribuir com sua experiência.

A infantilização traz para esse público a ‘estigmatização’ de um grupo homogêneo e que segue um padrão de gostos, hábitos, atividades e que possuem as mesmas características, tão enfatizadas e divulgadas que os tornam sempre os ‘bons velhinhos’, ‘frágeis’, ‘bonzinhos’, ‘pobrezinhos’. Até o uso das palavras no diminutivo enfatizam ainda mais o poder da infantilização. O idoso não é um adulto de cabelos brancos, tampouco uma criança mais velha, o idoso é alguém que passou pelas primeiras etapas de desenvolvimento da vida e que continua a caminhar como qualquer outra pessoa.

Ao infantilizar uma pessoa idosa estamos ocultamente praticando uma violência contra ela, que vai de desencontro ao Estatuto do Idoso quando diz “é obrigação da sociedade, família e Instituição assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na constituição e nas leis”. Toma-se como exemplo os países orientais como China e Japão onde os idosos são muito respeitados, honrados e referenciados por suas famílias, o que dizem é seguido por todos, inclusive os mais jovens.

É importante quebrar esse estigma de que todo idoso é alguém dependente, sem autonomia e que não tem direitos e deveres. Deve-se cada vez mais mostrar que a pessoa idosa tem um lugar e que o ocupa da melhor forma possível e que não está ali apenas esperando o fim, mas que ainda tem muito que viver, aprender e compartilhar com novas gerações.

É necessário permitir que haja um estreitamento dos laços, que suas histórias de vida e experiência possam ser valorizadas, que se possa favorecer a inclusão da pessoa idosa promovendo sentido para sua própria existência; reconhecer suas capacidades de trabalho, criatividade, potencialidades. Ao infantilizar a pessoa idosa criam-se alusões e falsos parâmetros acerca do processo de envelhecimento que pode determinar a forma como essas pessoas são e serão tratadas.

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Os perigos da Polifarmácia entre idosos

Polifarmácia é o termo utilizado para definir o uso contínuo de vários medicamentos. Fato que, atualmente, é extremamente frequente e comum entre idosos, uma vez que é um grupo etário com maior índice de doenças crônicas, insuficiências e fragilidades. Porém, um problema sério acerca deste tema é que  muitas vezes as indústrias farmacêuticas contribuem para a medicalização exagerada, através dos profissionais da saúde, contribuindo para o excessivo uso de fármacos, necessários ou não para determinadas comorbidades e para a saúde geral do indivíduo.

Apesar de os medicamentos serem extremamente necessários, os idosos são mais suscetíveis aos efeitos colaterais dos mesmos, que podem inclusive incrementar patologias já existentes, e portanto a polifarmácia está associada ao aumento do risco e da gravidade das reações adversas aos medicamentos, de favorecer interações medicamentosas, de causar toxicidade cumulativa, de ocasionar erros na utilização das medicações, de reduzir a adesão ao tratamento e elevar a taxa de mortalidade.

Dessa forma, para evitar riscos desnecessários, tratamentos preventivos e não farmacológicos devem ser priorizados, principalmente para os idosos. Como exemplos podemos citar: exercícios físicos, acompanhamento nutricional, acupuntura, yoga, fisioterapia, entre outros.

É extremamente importante que os idosos e seus familiares/cuidadores evitem a automedicação, sendo também necessário que os médicos e demais profissionais da saúde se conscientizem a respeito, e passem a prescrever e administrar medicamentos apenas quando houver real necessidade.

Curatela e Interdição para idosos com demência

A curatela existe, por meio da lei, para que alguém represente uma pessoa que apesar de ser maior de idade, se encontre incapaz de responder pelos seus atos, como o caso de um indivíduo portador da Doença de Alzheimer que não consegue responder por si mesmo.

Assim, é bastante frequente a Curatela de idosos, quando este começa apresentar dificuldades para exercer a vida civil, cuidar de si próprio e administrar seu dia-a-dia, o que pode comprometer sua saúde e subsistência. A instituição do Curador Responsável é feita por um juiz, através de advogado ou do Ministério Público.

A interdição serve como medida de proteção para preservar o idoso de determinados riscos que envolvem a prática de certos atos como, por exemplo, evitar que pessoas “mal intencionadas” aproveitem-se da falta de discernimento do idoso para efetuar manobras desleais, causando diversos prejuízos, principalmente, de ordem patrimonial e moral.

Para iniciar o processo de interdição, o idoso será avaliado por um médico que atestará o comprometimento do indivíduo, através da emissão de um laudo que servirá de orientação para o juiz decidir ou não pela interdição. Além disso, se houver possibilidade, o idoso deverá ser levado até a presença do juiz para que este possa conhecê-lo.

Portanto, a interdição declara a incapacidade do idoso que não poderá por si próprio, pratica ou exercer pessoalmente determinados atos da vida civil, necessitando, para tanto, ser representado por outra pessoa. Esse representante é o curador, que também terá uma série de obrigações, entre as quais, receber rendas e pensões, efetuar pagamentos, administrar bens, preservar os direitos da pessoa interditada, sempre prestando contas bienalmente.

Medo de cair e isolamento social entre idosos

O medo de cair, que caracteriza-se pela ansiedade ao caminhar ou preocupação excessiva em cair, pode existir por diversos fatores como problemas de visão, quedas anteriores, limitações físicas, entre outros.

Entre pessoas acima de 60 anos, uma queda pode significar fraturas, lesões graves, dependência física temporária ou duradoura e até mesmo morte direta ou indireta. Além destas consequências, uma queda pode gerar uma importante perda de auto-estima e sentimento de auto eficácia, assim como falta de confiança para caminhar e realizar tarefas cotidianas.

Outra consequência bastante comum é o medo de cair, que pode ser tão incapacitante quanto a queda em si e, portanto, deve ser prevenido e trabalhado. Diversas pesquisas realizadas sobre os maiores temores na terceira idade, cair é, frequentemente, o item no topo da lista, superando o medo do crime e dos problemas financeiros. Além de afetar o emocional e o psicológico do idoso, este medo pode contribuir significativamente para o isolamento social do mesmo, ou seja, a redução drástica de atividades em seu dia-a-dia e pouca ou nenhuma convivência com outras pessoas. Essas limitações os leva à mobilidade reduzida e à perda de aptidão física por perda de massa muscular e de equilíbrio, o que por sua vez aumenta o risco de cair, assim como aumenta exponencialmente os riscos de depressão e ansiedade

Portanto, é de extrema importância que os cuidadores, familiares e profissionais da saúde se conscientizem a este respeito,  para que juntos possam fazer intervenções e ajudar os idosos a se sentirem mais confiantes sobre sua capacidade de fazer essas atividades com segurança.

Clique aqui e confira outras dicas de como prevenir quedas em idosos.

A importância da desospitalização

A desospitalização, ou seja, a retirada do indivíduo do ambiente hospitalar para dar continuidade aos cuidados e tratamento em outro local – como sua própria casa – é uma prática bastante recente e ainda pouco frequente.

Porém, esta realidade vem sendo mais comum com o avanço da medicina e outras áreas afins nos últimos anos. Muitas famílias e médicos tem apostado em uma melhor recuperação do idoso fora do ambiente hospitalar de forma segura e eficiente, buscando um local mais aconchegante e amigável, onde o indivíduo possa ficar mais próximo de familiares e amigos. Ou seja, o principal objetivo da desospitalização é humanizar o processo de recuperação do idoso.

É importante ressaltar que esta prática não significa dar alta precocemente para o paciente, uma vez que a equipe de saúde deve visitar a residência do paciente, levar aos familiares as opções de cuidados fora do hospital e acompanhá-los nas visitas a esses lugares para que a transição hospitalar seja segura e tranquila para todos – pacientes, familiares e equipe de saúde. Outra vantagem é a redução dos riscos à saúde que o hospital gera, como infecções hospitalares – e muitos médicos alegam que a hospitalização de idosos deve ser feita somente em casos de doenças graves ou em necessidade de cirurgia.

Além dos benefícios para o idoso e sua família,  a desospitalização também é vantajosa para o hospital e para a comunidade como um todo, uma vez que contribui também para um aumento no número de leitos oferecidos aos que estão aguardando uma vaga para internação, acarretando também na redução de custos para o hospital sem afetar a saúde do paciente.

Depressão em idosos: causas e dicas para prevenir

No Brasil, de acordo com dados do IBGE através da Pesquisa Nacional de Saúde 2013 , os idosos pertencem ao grupo populacional que mais sofre com a depressão. Além disso, de acordo com o Relatório Global para Prevenção do Suicídio da Organização Mundial da Saúde (2014), as taxas mais altas de suicídio estão entre as pessoas acima dos 65-70 anos de idade, sendo que a causa mais frequente deste ato é a depressão não diagnosticada, não tratada ou inadequadamente conduzida.

Os motivos por trás destes índices são diversos, e preocupantes, uma vez que além do suicídio e diminuição da qualidade de vida, a depressão pode causar outros problemas de saúde, como por exemplo infarto e demência.

Entre as principais causas para a manifestação desta doença, podemos citar:

  1. presença de outras doenças crônicas incapacitantes
  2. viuvez, ou convívio com um cônjuge em estado terminal
  3. perda de autonomia e independência
  4. isolamento social
  5. sentimento de improdutividade
  6. hospitalização ou instituicionalização precoce
  7. presença de demência, como Alzheimer
  8. alguns medicamentos

Portanto, algumas medidas podem – e devem – ser tomadas para prevenir este quadro, ou ameniza-lo caso já exista. São elas:

  1. Estimular o idoso a ter uma vida social – através da família, grupos de terceira idade, centros-dia, etc
  2. Planejar desde cedo como será o processo de aposentadoria, para que existam atividades substitutas ao trabalho
  3. Realizar atividade física frequente
  4. Valorizar e incentivar características que o idoso ainda possui, e não valorizar possíveis doenças e limitações
  5. Realizar atividades prazerosas e que despertem o interesse do idoso
  6. Fazer visitas regulares à médicos